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A LUZ QUE VEM DE DEUS PARA ILUMINAR O MUNDO

cego

A liturgia deste domingo vem oferecer uma reflexão sobre a divina luz, que se manifesta ao mundo, como luz soberana para todos os que se encontram nas trevas. Deus manifesta seu grande amor nos pobres e fragilizados. Para conduzir seu povo, elege um simples pastor (Davi) com justiça, (1ª leitura). Envia seu único filho, Jesus Cristo, como sinal de bondade. Jesus se faz solidário com os mais necessitados oferece-lhes integridade e vida saudável. Cura os cegos, liberta toda espécie de opressão e põe luz (Evangelho) no caminho dos que estão sem orientação. São Paulo, na Carta aos Efésios, anima a comunidade, incentiva a viver como filhos da luz, dizendo não às obras das trevas e praticando diariamente a bondade, a justiça e a verdade (2ª leitura). Deus é luz da humanidade, portanto, quem vive com Deus se torna uma pessoa iluminada: é uma pessoa verdadeira e livre, porque nada tem a esconder de ninguém.

1ª leitura: 1Sm 16, 1b.6-7 ( Deus não se importa com as aparências, porém, ver o coração)

Neste quarto domingo da quaresma, a primeira leitura narra à eleição de um grande líder do povo de Israel, Davi. Davi na tradição bíblica é uma das pessoas mais lembrada. Em torno de seu nome foi criado uma grande movimentação. Ele é a figura do governante “segundo o coração de Deus” rei justo que não abandona os pobres. Samuel, o profeta escolhido por Deus, foi um dos últimos juízes de Israel. A fase em que viveu foi de grandes conflitos, de transição entre o tribalismo e a monarquia. Conforme a ordem divina, busca reconhecer, entre muitos irmãos, qual seria o escolhido para governar o povo. Após a análise feita, dos sete filhos, de Jessé, Samuel declara que nenhum deles tinha sido chamado por Deus. O menor deles, ausente por estar cuidando do rebanho, é o escolhido. Samuel, como juiz de Israel, unge Davi como rei segundo a vontade divina. Seu governo deve ser realizado sob a autoridade de Deus. Deus não se deixa conduzir pela as aparências. Ele conhece o coração de cada pessoa, chama os que estão em último lugar, para realizar o seu plano na história. Olhando pelo campo sociológico, o texto é uma denúncia ao poder monárquico é também uma valorização dos caminhos alternativos que emergem com a mobilização dos pequenos e marginalizados.

Evangelho: Jo 9,1-41 (Jesus, luz que brilha nas trevas)

João, em seu Evangelho aprofunda a identidade de Jesus narrado por meio de sinais. Um destes sinais é a cura de um cego de nascença. Esse sinal da cura do cego de nascença, reflete o debate existente nas comunidades joaninas, entre cristãos e o grupo de judeus apegados ao legalismo religioso. Através do texto, percebemos que a cegueira era considerada um castigo, uma maldição, seja pelos pecados pessoais ou pelos os de seus antepassados. Um dos maiores impedimentos para o cego era o de não poder ler as Sagradas Escrituras e a Lei, sendo por isso, considerado um ignorante da vontade de Deus. Diante da pergunta sobre “Quem pecou..” , Jesus procura abrir os olhos dos seu discípulos, porque também estão contaminados com a ideologia dos doutores da lei. Jesus em sua caminhada ver o cego e toma iniciativa de curá-lo por meio da junção de dois elementos: o barro e a saliva. Sua ação tem a intenção de recriar a pessoa, oferecendo vida nova. Segundo o pensamento da época, a saliva transmite a energia vital da pessoa. Logo a energia de Jesus possibilita a cura do cego. A cura aqui é a libertação que Deus oferece, não de modo mágico. O cego deverá seguir a palavra de Jesus e lavar-se na piscina de Siloé, Ele é convidado a aceitar livremente a luz que Jesus lhe oferece. Ao recuperar a verdadeira visão passa por um processo de conflitos e crises, por mexer com as estruturas dominantes. Agora ele é livre para tomar decisões e seguir livremente o Senhor.

2ª leitura:Ef 5, 8-14. Sl: 22(23) “O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma.”

A Carta a aos Efésios, preocupa-se em manter a comunidade cristã no caminho da amor fraterno. Nesta leitura são apresentados dois caminhos: o das trevas e o da luz. O caminho das trevas era bem conhecido pelos cristãos de Éfeso. Muitos deles, antes de aderir a Jesus Cristo, experimentaram este caminho. A vida em Cristo é considerada o verdadeiro caminho da luz. Ele é a verdadeira luz. Quem se unir a lele é também filho da luz e produz “frutos de bondade, justiça e verdade”. Quem decidir seguir Jesus Não pode ser cúmplice da maldade, da corrupção, da mentira, do egoísmo, do desamor.

Pistas para reflexão:

A liturgia deste domingo nos apresenta duas maneiras de dar a vida por Cristo: Uma é gastar-se diariamente, na tarefa de levar a libertação que Cristo veio propor a todos, a outra é ser luz, ser testemunha viva dessa luz que é Cristo ressuscitado. Esse é um desafio que as leituras propõem a todos (as). Não é um caminho fácil. Temos que renunciar todas as trevas. em nosso caminhar. Corremos o risco de sermos incompreendidos, visto com desconfiança e até ser maltratado por causa de Jesus. Quem escolher seguir este caminho não está sozinho, Jesus sempre estará por perto, para animar, fortalecer e livrar de todo mal. Precisamos ser ousados (as) e percorrer o caminho do amor para no final proclamar Jesus como o Senhor de nossas vidas.

(Ir. Rita Paixão, NJ* Graduada em Filosofia e Teologia pela FCF. CE).

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