5º DOMINGO DA PÁSCOA – A

“Seguimos na via do Ressuscitado”

João

Textos bíblico-litúrgicos: (At 6,1-17)   (Sl 32)  (1Pd 2,4-9)  (Jo 14,1-12)

 

Cristo é o caminho. Os primeiros seguidores dele, antes de serem denominados cristãos, eram indicados como sendo a comunidade do caminho. Ele interpela as pessoas no caminho de suas vidas, indo ao encontro da suas existências, angústias, alegrias e realidades. Nos chama pelo caminho e faz-nos o convite a seguir por esta estrada que nos direciona à vida verdadeira dos discípulos e discípulas dele.

A leitura dos Atos dos Apóstolos narra o primeiro problema prático que a comunidade primitiva enfrentou: a convivência entre um grupo de helenistas (judeus de língua grega, ou seja, de fora da Palestina) e os hebreus (judeus nascidos na Palestina e de língua aramaica). Revela já uma comunidade em crescimento, buscando solucionar questões constrangedoras e discriminatórias, despertando para a necessidade de se organizar internamente, de forma a não se desviar da proposta de Jesus: o serviço do Reino. Por essa razão, a proposta apresentada pelos apóstolos à comunidade, de prestar uma ajuda às viúvas de origem grega, é bem aceita porque envolve o serviço. Uma comunidade que se organiza com sensibilidade pela causa dos que sofrem discriminação, está bem próxima da proposta do Evangelho. A comunidade cristã não é um ajuntamento de pessoas ou um clube de amigos, que se encontram de vez em quando. Pelo contrário; é um corpo vivo, formado de membros que articulam entre si. E quando um membro está com dificuldades, todo o corpo sente. Pretende-se ver neste texto (At 6) a origem do diaconato, ministério que posteriormente será especificado na Tradição Apostólica (Fl 1,1; 1Tm 3,8.12)

Na segunda leitura, o trecho da Primeira Carta de Pedro nos revela que o Povo da Nova Aliança, pela força do seu batismo, é assembléia santa, povo sacerdotal (1Pd 2,9) que oferece ao Senhor não mais o sacrifício selado na antiga aliança, mas agora o sacrifício das suas próprias vidas (1Pd 2,6) entregues no altar do Sacrifício do Mistério Pascal de Cristo.

O salmista canta a esperança e a fé daqueles que põem sua confiança no Senhor (v.18), que nos liberta das amarras da morte e nos comunica sua vida plena.

No evangelho de hoje, observamos a pessoa de Jesus que vem ao nosso encontro, no decurso do nosso existir e posta-se ao nosso lado para caminhar conosco. Apesar das dificuldades, ele nos consola, mesmo quando não sabemos o caminho, como Tomé (v.5). Devemos confiar, seguir o caminho indicado por ele, numa estrada às vezes escura neste mundo, mas iluminada pelo farol da Ressurreição. Jesus é para nós a face luminosa do Pai, palavra que o revela, pessoa que nos põe em comunhão com a mesma vida de Deus. E entrar nesse caminho nem sempre é fácil, porque exige a conscientização de que esse é um caminho para se percorrer junto com o outro, partilhando com ele; de que é um caminho que não se faz no individualismo, no egoísmo. Nesse caminho se vive a lei do amor: saímos de nós mesmos, para acolher o outro, perceber as suas necessidades. Esforçamos para evitar o grande mal da atualidade, o grande contratestemunho cristão: a indiferença. Seguir Jesus Caminho é reconhecê-lo presente em toda sua dimensão mística: na Palavra, na Eucaristia e na Igreja, povo de Deus.



[1] Diác. Glêvison Felipe é diácono permanente da Arquidiocese de Belo Horizonte.

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