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16º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Por Diác. Glêvison Felipe*

joio&trigo

Textos bíblico-litúrgicos: (Sb 12,13.16-19) (Sl 85) (Rm 8,26-27) (Mt 13,24-43).

Neste domingo, a Palavra de Deus que nos é apresentada aponta na direção do seu tempo qualitativo (kairós), caracterizado pela paciência, que difere do tempo humano, que sempre reclama respostas urgentes.

O povo judeu, escolhido por Deus na Antiga Aliança, sempre se perguntou porque os povos idólatras – fora da nação escolhida – não eram esmagados pela fúria terrível de IHWH (1ª leitura v.17).Mas o Senhor é paciente e dá tempo para que o desviado se converta (1ª leitura v.18). Deus condena o pecado, mas não o pecador. Ele deseja que se converta e viva. “Eu não tenho prazer na morte de quem quer que seja, oráculo do Senhor. Convertei-vos e vivereis!” (Ez 18,32). Da parte humana, há sempre esse desejo de retaliação: Jonas ficou desgostoso e irado porque Deus não destruiu os ninivitas, mesmo depois da conversão deles (Jn 4,1); o filho mais velho da Parábola do Filho Perdido não percebeu a misericórdia do Pai e não entendeu porque o filho mais novo não foi severamente castigado (Lc 15,28); enfim, a sociedade clama por vingança, que não é o princípio da justiça de Deus, que julga com clemência e prefere que a pessoa seja restaurada e não destruída.

No mundo crescem juntos o joio e o trigo; porém, a nossa intimidade com Deus e o discernimento do Espírito (2ª leitura v. 26) nos capacitam para distinguir a semente boa e a má. Como nos lembra o profeta Malaquias, no dia da colheita (dia do Senhor) haverá uma separação, “diferenciando entre o justo e o ímpio, entre aquele que serve a Deus e aquele que não o serve” (Ml 3,18); mas antes dessa colheita, Deus paciente tem compaixão, como um homem tem compaixão de um filho servidor (Ml 3,17).

Diante das duas realidades – a paciência de Deus (dono do campo) e a impaciência dos servos – verificamos que a justificação (salvação) do ser humano é operada no tempo do Deus paciente, que espera com infinita misericórdia. Nas três parábolas de hoje, do joio, da semente de mostarda e do fermento – dentro do grande discurso parabólico de Mateus – Jesus nos mostra a realidade do Reino dos Céus, o qual Ele veio anunciar como seu projeto de vida e dos seus discípulos e discípulas. Um Reino que cresce e amadurece a seu tempo (Evangelho v.32) e se estende com uma pequenez aparente mas que produzirá muitos frutos, à medida que os seus discípulos e discípulas procuram ser fermento na grande massa do mundo, “contaminando-o” com misturas de paz, justiça e caridade, até a plenitude dos tempos e a instauração definitiva do Reino de Deus.

 

*Diác. Glêvison Felipe é diácono permanente da Arquidiocese de Belo Horizonte.

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