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QUARESMA: DESERTO, ALTERIDADE E HUMANIZAÇÃO

Por Francisco Gleison Oliveira*

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Ao celebrarmos a quaresma, tempo propício para nossa conversão, somos convidados a caminhar com Jesus no deserto de nossa vida (Cf. Mt 4, 1-11), experienciando todo o sofrimento, perseguição, tentação, vaidade, desejo de poder… A oração, jejum e penitencia nos são a possibilidade de penetrarmos cada vez mais na profundidade do Seu amor misericordioso, de tal maneira que não nos sintamos abandonados por Ele em nossa caminhada terrena, mas fortalecidos e encorajados em nossa missão de filhos.

Neste itinerário de fé nos são apresentados dois caminhos distintos: A sedução e a cruz. O primeiro significaria sucumbir à tentação da serpente (mal) jogando-se no precipício, aguardando ser aparado pelos anjos. Ou, o segundo, por sua vez, permanecer fiel ao propósito de Deus, acolhendo o Cristo que deseja fazer morada no solo desértico do nosso coração, o que pressupõe está dispostos a assumir todas as consequências por tal opção. Qual caminho você escolhe? A subordinação ou o profetismo? A glória momentânea ou o martírio cotidiano? O medo ou o enfrentamento? A impossibilidade ou a esperança? A eterna escravidão ou a suprema libertação? … O próprio Mestre nos indica que “larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; do contrário, estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” (Mt 7, 13-14). Optar pela porta estreita é optar acima de tudo por nossa própria humanização, o que aponta para um profundo processo de transformação interior que nos impulsiona a agir, não conforme a nossa vontade, mas daquele que nos chamou.

A proposta da Campanha da Fraternidade deste ano nos auxilia nesta caminhada de fé, cujo intuito promover a dignidade e o bem comum, interpelando-nos acerca do nosso real papel de cristãos em uma sociedade marginalizada. Ou seja, nossa busca por humanização é antes de tudo alteridade. “Eu vim para servir” (cf. Mc 10,45). Na lógica cristã, quem serve, serve alguém, não a si mesmo, em uma dinâmica egoísta, que visa unicamente os próprios interesses. O outro, com sua pobreza material ou espiritual é, portanto, o incipiente de nossa experiência libertadora de fé.

Destarte nosso queridíssimo papa Francisco ensina-nos que o bom cristão é aquele que vive a alegria do Evangelho, irradiando a todos o amor de Deus por meio do seu testemunho sempre fiel, manifestado na caridade e no serviço ao próximo, sobretudo dos irmãos mais sofridos, que são os crucificados do nosso tempo. Cultivemos isto em nosso coração e certamente descobriremos que vale a pena doar a vida em prol do Reino. Deus está conosco! (Cf Is 41,10).

Enfim, imitemos o Cristo, que na cruz, se fez solidário com os injustiçados do mundo. Desta forma, possamos, então, a partir do mesmo amor em que Deus nos criou, nos tornando seus filhos e todos irmãos, fazer, pois, realizar na terra a vontade do próprio Pai, que em Cristo Jesus nos fala ao coração:“Eu vim para que todos tenham vida e que tenham em abundância” (Jo 10,10).

*Postulante da Congregação dos Sagrados Corações. Graduado em Filosofia pela UVA-CE. Acadêmico de Teologia ela FAJE-MG.

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