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A CRISTOLOGIA E A NOSSA FÉ

Por Ir. Jackson, NJ*

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A encarnação, a vida e o mistério Pascal de Jesus sempre foram intrigantes na vida de nós cristãos. Somos iniciados desde pequenos nos ensinamentos de nossos pais e avós bem como em seguida na catequese da Igreja acerca da fé cristã.

A própria liturgia, sobretudo nas principais festas como o Natal e a Páscoa, fez-nos aprofundar e experimentar um pouco do mistério de Cristo. Os diversos símbolos e certos costumes parecem marcar nossa vida muito mais que os conteúdos teologais. No entanto, permanecendo somente nessa esfera, estaríamos deixando de experimentar muito daquilo que Deus tem a nos oferecer.

Assim, três elementos são basilares para o aprofundamento do mistério de Cristo: uma experiência existencial profunda do Amor de Deus que nos faz valorizar e adentrar no mistério de amor da cruz; essa experiência nos leva buscar sempre conhecer mais, fruto da nossa resposta a esse amor e não simplesmente por curiosidade, mesmo que isso apareça em muitos; e desemboca na partilha e contato com o outro, uma vez que é impossível reter esse amor “mais forte que a morte” (Ct 8,6) dentro de nós.

Nesse sentido, caminhamos para o aprofundamento do conhecimento e da experiência de fé. A vida (gestos e palavras) e o mistério Pascal de Cristo, mais que “matar curiosidade”, proporciona-nos perceber as minúcias desse amor, que antes de ser crístico é trinitário. Se a experiência com o Espírito e o Filho tem sido evidentes e bastante faladas, perceber a atuação do Pai, sobretudo na crucificação, não como aquele carrasco ou omisso que permite seu Filho morrer só para nos salvar, mas como aquele que partilha a dor de vê-lo abandonado, enriquece nossa relação com Ele. Além disso, a própria ressurreição como vitória da morte e elevação de nós à vida nova junto de Deus, muito mais que um simples resgate do messias crucificado, impele-nos a deseja-la e anuncia-la ainda mais.

Acerca das heresias cristológicas, a síntese que as rebate e do qual convergem os concílios se trata das duas naturezas de Cristo unidas, e não justapostas, em sua única pessoa. Mais que aprofundamento metafísico, isso nos faz perceber mais uma vez o grande mistério de amor de Deus para conosco. Se já no judaísmo o Deus de Israel já se fez presente no meio de seu povo, em Jesus isso acontece de forma radical. Mais que presença, Ele se fez um de nós, menos no pecado. Não deixando de ser verdadeiramente Deus, revelou-nos verdadeiramente homem, mostrando que a santidade perpassa na verdadeira e na completa humanidade.

Portanto, passado pela cristologia, somos imbuídos do amor de Deus por nós. Longe de exclusivismo ou antiecumenismo, a vida e o mistério Pascal de Jesus Cristo, abrindo à salvação a todo ser humano, certamente possa servir de fundamento para um frutuoso diálogo inter-religioso. Por outro lado, também deve nos fazer atentos a preocupar-se com o outro, sobretudo os mais necessitados, não simplesmente em prol da salvação, mas pelo impulso de seu amor por e em nós.

 

* Membro do Instituto Religioso Nova Jerusalém. Licenciado em Física pela UFC e em Filosofia pela UECE. Graduando em Teologia na FAJE-BH e pós-graduado em Formadores para Vida Religiosa no ISTA-BH. Contato:irjackson.nj@gmail.com

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