A JUVENTUDE E SUAS MOTIVAÇÕES

Por Clérigo Deivid Rodrigo dos Santos Tavares, ssp*

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 Quando se pergunta sobre uma etapa da vida que foi importante, muitos adultos e idosos, sem sombra de dúvida, falam com muito orgulho que foi o tempo da juventude. A juventude, em sentido etimológico, seria o período em que o ser humano, homem e mulher, alcançam certo grau de amadurecimento e, por conseguinte, capacidade de independência. É nesse momento que surge um labirinto de grandes desafios e de sonhos que pretendem tornar-se realidade. Porém, o que estimula o desabrochar das buscas pela realização pessoal é a motivação.

Motivação é poder colocar toda força de vontade naquilo que se propõe ser ou fazer. Em outras palavras, é dar sentido, lutar pelos objetivos que, antes, estavam adormecidos no interior das pessoas. O jovem quando se abre para viver bem a sua realidade encontra, muitas vezes, um emaranhado de problemas a serem vencidos, de modo que o maior deles é descobrir o seu próprio “eu” dentro de um “todo”. Nisso, o que será determinante para que ele atravesse a muralha das decisões para tal realização é a motivação com a qual se coloca a serviço desse desafio. A muralha faz parte das dificuldades encontradas para a contemplação do próprio florescer da vida. A solidão, o desânimo, a falta de comunicação e de oportunidade conferem à juventude certo cansaço físico e espiritual que a desestimula a ultrapassar a barreira que limita a sua felicidade.

Os desafios são para serem vencidos. A muralha da solidão, do medo, do desafio e de muitas outras coisas encontradas pelo caminho, faz com que a juventude crie o seu “mundinho”, impedindo que ela crie relações interpessoais favoráveis à firmeza de sua maturidade. Ser maduro não é ser somente independente, ou evoluído mentalmente. Ser maduro é também reconhecer que é necessário, às vezes, ser um pouco “criança”, inocente e dependente. O ser humano não vive só, o jovem muito menos. É preciso ter o outro para encontrar a maturação própria da sua identidade.

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A juventude que se motiva consegue encontrar os caminhos para suas descobertas. Sejam num desejo de infância ou num plano de carreira, as intenções que são colocadas favorecem que o sonho torne-se real. O outro não é determinante nas escolhas pessoais; ele é apenas um instrumento que aponta, colabora e motiva a descobrir o caminho a seguir. O que deve ser fundamental na juventude é o seu sonho de fazer o novo acontecer, ser nova imagem na sociedade e no mundo, propondo novas ideias. Diante dos vários meios que favorecem a motivação, um dos mais eficazes é a oração. O jovem que reza tem diálogo direto com o poder motivador de toda humanidade: Deus. A oração é terra fecunda que germina e faz crescer as sementes lançadas dos anseios e vontades.

 

Juventude orante é aquela que encontra motivações para assumir, com responsabilidade, a própria vida, não perdendo a coragem de vencer os desafios encontrados; cresce em sabedoria e graça e se torna senhor e senhora de sua história. Aprende que não se vive só, mas que existe uma humanidade inteira do seu lado, lutando e sonhando com seus próprios ideais. Mas o importante nisso tudo é que, para que se tenha uma juventude realizada e feliz é necessário deixar-se se envolver pelo amor e pela graça de Deus que revestem a vida humana sem cessar. “Em tudo dai graças. É isso que Deus quer de vós como cristãos (1Ts 5,18).

 

* Religioso da Congregação dos Padres e Irmãos Paulinos.

www.paulinos.org.br

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