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Seria o amor mútuo um novo mandamento de Jesus?Como vivê-lo?

Por Ir. Jackson Câmara Silva, INJ*

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Após a última ceia, Jesus se rebaixa como servo lavando os pés de seus discípulos, anuncia a traição de Judas e faz seu discurso de despedida. Aqui o Mestre deixa o novo mandamento que será a marca dos seus discípulos (Jo 13,34-35). Se Jesus não veio abolir a Lei de Moisés, seria o mandamento do amor mútuo algo novo e original capaz de provocar uma ruptura?

Quando nos deparamos com o termo “novo” pensamos logo em novidade, algo inédito! Entretanto, na língua no qual foi escrito o Novo Testamento, o grego, além desse pode haver outro significado. Para isso existem duas palavras distintas. Quando se quer tratar de novidade original como algo nunca visto antes se utiliza a palavra néos. Já quando se quer falar de algo que é melhorado ou novo em contraste de algo decaído ou desgastado com um tempo e superior ao velho, utiliza-se o termo grego kainón. Qual dos dois o evangelista utiliza para falar de novo mandamento? Néos ou Kainón? O segundo!

Nesse sentido, o novo mandamento (que em grego se diz Entolén kainón), jamais pode ser interpretado como novo de forma inédita sem base ou contrário à Lei. Ele deve ser visto como novo no sentido de plenificação, aperfeiçoamento, transformação, sem excluir uma tradição anterior (judaica) ou resultar em uma “quebra”. Daí o termo kainón. Além disso, a primeira carta de João afirma não escrever um mandamento novo, mas um mandamento antigo recebido desde o início (1 Jo 2,7), aludindo ao amor ao próximo de Lv 19,18 (antiga Lei explicitada nos evangelhos sinóticos) aprofundado posteriormente: quem ama o irmão está na luz, mas quem o odeia está nas trevas (1 Jo 2,9-11).

“Amar uns aos outros como eu vos amei” parece ser exigente e levanta muitas questões em todos os tempos. Como amar nosso semelhante da forma como Jesus ama cada um de nós? Esse novo mandamento seria apenas uma nova regra a ser cumprida? Somente a palavra e o testemunho de Jesus e dos discípulos fariam com que cumpríssemos este mandamento? E quando não conseguimos amar nossos inimigos, aqueles que nos perseguem e nem mesmo nosso próximo? Somente saber dessa máxima cristã resolveria o problema?

O mandamento do amor mútuo ultrapassa o cumprimento de uma lei a ser cumprida, uma vez que se trata de uma resposta a Deus que amou o ser humano primeiramente. Desde a criação e perpassando toda a história da salvação, experimenta-se continuamente esse amor. Deus se fez morada entre os homens através de Jesus (Jo 1,14) que além de ensinar o novo mandamento, tornou-o inseparável a nós, resultando em uma nova condição de vida. Amar uns aos outros, incluindo os inimigos, os pecadores e os excluídos, não é possível apenas pelo testemunho de Cristo, apesar de ser importante. Permanecendo conosco (Emanuel) e seu Espírito morando em nós, Ele nos transforma e nos auxilia para responder essa proposta de amor. Essa é a grande marca que Jesus imprime nesse mandamento e que o torna novo (Jo 13,34-35; 1 Jo 2,8)!

O amor de Cristo não só pelos discípulos, mas por toda humanidade é marcado pela entrega total de sua vida. É um amor que se arrisca, que se doa e que não foca em si, mas se abre na gratuidade ao outro.

Portanto, amar uns aos outros como Ele ama, jamais pode ser considerado como uma obrigação pesada, mas uma característica essencial do ser humano que se abre a esse amor. Talvez partindo disso, no mundo cheio de violência, miséria, corrupção, fome e tantos outros males poderá surgir uma esperança começando em nós. “Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos” (Jo 13,35a).

 Referências

BERRY, George Ricker. A dictionary of new testament greek synonymous. Michigan: Zondervan, 1981

BÍBLIA DE JERUSALÉM. 3ed. São Paulo: Paulus, 2004

DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DA BÍBLIA. São Paulo: Loyola; Paulus; Paulinas, 2013

LÉON-DUFOUR, Xavier; DUPLACY, Algustin. Vocabulário de Teologia Bíblica. Petrópolis: Vozes, 1972

LUZ, Waldyr Carvalho. Novo Testamento Interlinear. São Paulo: Hagnos, 2010.

 

* Membro do Instituto Religioso Nova Jerusalém. Licenciado em Física pela UFC e em Filosofia pela UECE. Graduando em Teologia na FAJE-BH e pós-graduado em Formadores para Vida Religiosa no ISTA-BH. Contato:irjackson.nj@gmail.com

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