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Por que crer na Santíssima Trindade?

Por Ir. Jackson Câmara Silva, INJ*

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 A fé trinitária, antes mesmo de ser compreendida, é manifestada na vida dos cristãos, sobretudo na liturgia. Somos iniciados desde pequenos nos ensinamentos de nossos pais e avós bem como na catequese acerca do Deus Único que é Pai, Filho e Espírito Santo. Para nós católicos o gesto que expressa isso é o sinal da cruz.

Mas estaria clara a fé trinitária? Não poderíamos correr o risco, mesmo “sabendo” que Deus é Pai, Filho e Espírito Santo, de cair em um triteísmo, considerando as pessoas da Trindade três deuses? Ou em um modalismo, focando-se no Deus Único que age ora como Pai-Criador, ora como Filho-Salvador, ora como Espírito Santo-Santificador? Ou mesmo do Filho e/ou do Espírito Santo serem subordinados ao Pai (subordinacionismo)?

Desses sutis equívocos surgiram inúmeras heresias nos primeiros séculos e que podem consciente ou inconscientemente está pairando na cabeça de muitos cristãos nos tempos atuais. Nesse sentido, o Símbolo Apostólico (Credo) partindo da Revelação do mistério salvífico de Deus em Jesus e no embate dessas heresias, une as verdades de fé e os cristãos a Deus nessa mesma fé.

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Ao professarmos inicialmente “Creio em Deus”, confessamos uma fé monoteísta, assimilada pela fé de Israel que se revela ao longo da história da salvação da humanidade. Mas não bastaria crermos em um Deus Único e Unipessoal? Não seria a Trindade uma concepção dos primeiros cristãos para compreender e nomear melhor Deus? Certamente não. A criação do céu e da terra nos remete a um princípio, a um fundamento, a uma origem, a um PAI Todo-poderoso que expressa seu poder de amar nessa criação. E cria necessariamente pela PALAVRA e pelo ESPÍRITO (sopro) que dá vida. Daí ser inconcebível assumi-lo como Unipessoal.

Não bastasse o caminhar de Deus (Pai, Palavra e Espírito) com o povo de Israel, a PALAVRA se faz carne e habita entre nós (Jo 1,14). Em JESUS CRISTO, FILHO único do Pai, percebemos a proximidade de Deus no âmbito da realidade humana e pessoal. N’Ele a Revelação já presente nas Sagradas Escrituras alcança sua plenitude e torna possível aquilo que o homem por si só seria incapaz de compreender e experimentar. Assim, a fé na Trindade ao contrário de ser especulação ou discurso racional, é autocomunicação de Deus.

Não há dúvida que, concebido pelo poder do ESPÍRITO SANTO, JESUS é “gerado e não criado” do PAI, uma vez que, consistindo em criatura seria impossível salvar a humanidade, em que também percebemos, além da criação, a atuação da Trindade. Crendo que Jesus é Nosso Senhor e, portanto, Deus, não devemos esquecer, especialmente em perspectiva de salvação, sua natureza humana. Talvez muitos o vejam como um “super-homem” ou Deus na “aparência” de homem. No entanto, professando que Ele nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, cremos que Ele seja verdadeiramente homem nascido de mulher em um determinado momento histórico.

Descendo à mansão dos mortos, ressuscitando ao terceiro dia e subindo aos céus (…) O FILHO, vencendo a morte, eleva  nossa condição humana e nos torna filhos amados de Deus. E para permanecer conosco até o fim dos tempos, Ele (e o PAI), envia o ESPÍRITO SANTO para habitar em nós e assim nos santificar. De fato, por ELE percebemos uma “realidade divina” que nos impulsiona, nos dá esperança, nos faz abrir-se a Deus a fim de estar em comunhão com ELE e com os irmãos. Santificados por ELE, também cremos na Santa Igreja Católica e na remissão dos pecados, uma vez que somos chamados a viver como e com os santos, na espera da ressurreição da carne, assim como Cristo ressuscitou, para definitivamente estarmos na vida eterna junto do PAI.

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Diante disso, ao crer em um Deus Uno-Trino, manifestamos que o cristianismo é um monoteísmo de relação. Sendo Uno, Absoluto, Deus se relaciona em si mesmo (PAI-FILHO-ESPÍRITO SANTO). Não bastasse essa “relação”, ELE ao se autocomunicar, dando-se a si mesmo na CRIAÇAO, REDENÇÃO E SANTIFICAÇÃO, relaciona-se com o ser humano. Este por, sua vez, é chamado a corresponder a essa relação, fazendo da Revelação uma verdadeira experiência de Deus.

Portanto, confessando o CREDO assumimos juntos e perante Deus e os irmãos, não somente o conteúdo da nossa fé, mas principalmente nossa identidade de cristãos que requer testemunho de vida. De fato, enquanto houver injustiça, morte, miséria e discórdia, estaremos longe de ser “povo de Deus”, “corpo de Cristo” e “morada do Espírito Santo”.

 

* Membro do Instituto Religioso Nova Jerusalém. Licenciado em Física pela UFC e em Filosofia pela UECE. Graduando em Teologia na FAJE-BH e pós-graduado em Formadores para Vida Religiosa no ISTA-BH. Contato:irjackson.nj@gmail.com

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