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Os dez mandamentos: lei que liberta ou oprime?

Por Ir. Jackson, INJ*

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A lei de Moisés guia todo o povo de Israel a ser fiel a Deus. Desobedecer a um dos mandamentos é quebrar a aliança com o Senhor. Os cristãos herdam esses mandamentos e desrespeitar um deles é estar em pecado mortal e consequentemente estar propenso a ir ao inferno. Isso parece marcar muito a vida dos fieis!

Mas o medo do inferno seria o parâmetro mais importante para a caminhada do cristão? Viver os dez mandamentos como se fosse uma lista simplesmente de proibições ou permissões, como “pode ou não pode”, seria sinônimo de uma vida pautada na liberdade? Talvez o problema venha de muito tempo atrás!

O próprio termo “Torah” na língua hebraica (na qual foi escrito o AT) significa grosso modo “instrução” que ensina e ilumina os passos do povo (Sl 119,105). O termo perdeu um pouco seu significado original quando traduzido para o grego “nomos”. Este acabou trazendo a “carga pesada” do significado de “Lei”, “norma”, algo que aponta mais para julgamento e condenação que para liberdade de viver uma boa vida nos caminhos de Deus!

Então, como ler os dez mandamentos? Menosprezá-los ou relativizá-los já que eles não devem oprimir ninguém? Claro que não! Podemos tomar como exemplo o Sl 119, que trata de um elogio à Torah e destaca a orientação para os caminhos de Deus mediante a escuta e prática atenta de sua Palavra. Nos evangelhos encontramos a convergência dos mandamentos em torno do Amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo (Mt 22,34-40; Mc 12,28-34; Lc 10,25-28). Veja que de um lado a Torah é aquela que “ilumina” e “instrui” os passos do povo de Deus e por outro ela pautada no “Amor”.

Assim, não é o medo do inferno ou do pecado mortal em si que deve ser o foco e me motivar a cumprir os mandamentos, mas o Amor infinito de Deus por mim! Quando O busco e O correspondo, estou me abrindo à renúncia ao pecado e ao inferno porque quero comunhão com Ele! Se pratico o “Amor a Deus sobre todas as coisas” é porque vejo n’Ele minha razão de viver. Por isso quero encontrá-lo não só na oração pessoal, mas todos os domingos junto aos meus irmãos para celebrar esse amor!

Com tamanho amor, sou chamado a respeitar a mim mesmo e ao meu próximo. Se Deus ama tanto a mim e ao meu próximo como eu poderia: desonrar meus pais, matar, roubar, instrumentalizar a si e aos outros, cobiçar o que é do outro? Seria simplesmente medo da punição da Lei ou bloqueio desse amor infinito e gratuito de Deus na minha vida e na vida dos outros?

Portanto, o pecado é uma realidade que quer nos tirar de Deus. Somos tentados a fazer o mal que não queremos e a não fazer o bem que queremos (Rm 7,19). Entretanto, focando nossa vida nesse amor, veremos os dez mandamentos como fonte de liberdade para cada um de nós. E como “Lei” infundida em nosso coração (Jr 31,33) e não como uma lista de regras externas e inalcançáveis, somos chamados a nos configurar ao Cristo que venceu o pecado e a morte. Ele assim nos auxilia com seu Espírito e como filhos de Deus prosseguimos decididamente para Ele.

* Membro do Instituto Religioso Nova Jerusalém. Licenciado em Física pela UFC e em Filosofia pela UECE. Graduado em Teologia na FAJE-BH e pós-graduado em Formadores para Vida Religiosa no ISTA-BH. Contato:irjackson.nj@gmail.com

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