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1º DOMINGO DA QUARESMA – ANO A

Jardim x Deserto.

Mateus 4

 

Gn 2, 7-9; 3, 1-7; Sl 50; Rm 5, 12-19; Mt 4, 1-11.

Piedade, ó Senhor, tende piedade, pois pecamos contra vós.

Com a quarta-feira de cinzas deu-se início o tempo litúrgico da quaresma. Nós, da Igreja no Brasil, também temos a Campanha da Fraternidade 2014, que tem por tema: Fraternidade e Tráfico Humano. Anualmente a Igreja brasileira nos convida a vivenciar algum tema social pertinente à nossa sociedade.

Piedade, ó Senhor, tende piedade, pois pecamos contra vós.

A primeira leitura nos reporta à criação do mundo e da humanidade. Deus, criador de tudo, num ato de extremo amor cria o ser humano: homem e mulher; em seguida cria todo o universo com seus seres animados e inanimados para que a humanidade possa se sentir bem. Contudo, Deus não se satisfaz com isso. Ele os coloca em um maravilhoso jardim, com muitas flores, árvores e frutos para que não lhes falte nada; fazendo-lhes apenas uma restrição. Ora, nós seres humanos somos curiosos e queremos sempre ir além; não demorou muito para que a humanidade quisesse ver tudo com os olhos de Deus, ou melhor, a humanidade achava que poderia ser como Deus.

Piedade, ó Senhor, tende piedade, pois pecamos contra vós.

Na segunda leitura,  S. Paulo em sua Cristologia nos apresenta Jesus como o novo Adão. Conclui Paulo que se por um homem entrou o pecado e a morte no mundo, também por um único homem, agora o Filho de Deus, Jesus Cristo entrou a salvação para todo gênero humano.

Piedade, ó Senhor, tende piedade, pois pecamos contra vós.

No Evangelho temos os temas pertinentes do tempo da quaresma: a referência ao número quarenta; as duas práticas comuns desse período: jejum e oração, como também o deserto como lugar teológico.

O deserto nos é mostrado, desde o Antigo testamento, como um lugar de provação, mas também, um lugar de encontro com Deus. Até chegar à terra prometida o povo peregrinou pelo deserto, e nessa caminhada teve momentos de oração, de fidelidade como também de muitas infidelidades e castigos. Lembremos também, que segundo a Escritura o povo caminhou quarenta anos pelo deserto. Quarenta dá um sentido de completude, é o tempo de uma geração: em quarenta anos uma pessoa nasce, cresce, constitui família, tem filhos e ainda conhecerá seus netos.

A narrativa do Evangelho nos mostra Jesus, Filho de Deus, e filho de Maria no deserto, isto é, vemos Jesus, bom judeu, exercitando as práticas penitenciais de seu povo: o jejum e a oração. E serão essas práticas que o tornará forte no momento da tentação. E será apoiado por essas práticas penitenciais que Ele resistirá às três grandes tentações do mal para a humanidade: o ser, o ter e o poder.

Piedade, ó Senhor, tende piedade, pois pecamos contra vós.

Façamos nossa reflexão a partir de dois contrapontos, de um lado temos o jardim, com todas as suas delícias, que desde a criação nos foi oferecido por Deus, para que pudéssemos viver em total harmonia com o Criador e toda a sua obra criada. Do outro lado temos o deserto, lugar árido, cheio de provações e tropeços. Lembremos que fomos criados a imagem e semelhança de Deus, logo, o nosso lugar de origem é o jardim. Contudo, o pecado nos faz peregrinar em nossa vida terrena no deserto. E então, só poderemos reencontrar o jardim na outra vida? Paulo nos responde que não; ele diz que Jesus veio nos resgatar do deserto: de uma vida sem sentido, sem Deus, sem luz para a glória dos filhos de Deus.

Jesus quer nos dizer hoje que se nós dissermos não aos projetos do mundo: a globalização, o consumismo, o utilitarismo, o egoísmo; poderemos sim construir um mundo melhor com justiça e paz para todos. Só então resgatando a dignidade de toda a humanidade resgataremos o maravilhoso jardim que Deus construiu para nós.

Ir. Ana Alencar, NJ

Bacharel em Teologia e Especialista em Bíblia pela Faculdade Católica de Fortaleza (F.C.F.).

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